A saúde mental no ambiente de trabalho passou a ocupar um espaço ainda maior nas discussões sobre segurança ocupacional. Com a atualização da NR-1, que entrou em vigor em 26 de maio de 2026, os fatores de riscos psicossociais passaram a integrar expressamente o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Entre os exemplos estão sobrecarga de trabalho, pressão excessiva, conflitos, assédio e problemas relacionados à organização das atividades.

Nos condomínios, a questão merece atenção especial porque atividades como limpeza, portaria, recepção, zeladoria e manutenção são frequentemente realizadas por equipes terceirizadas. E é justamente aí que surge uma dúvida comum entre síndicos: se o profissional é contratado, qual é a responsabilidade do condomínio?

A empresa terceirizada continua responsável por suas obrigações trabalhistas e de Segurança e Saúde no Trabalho, incluindo o gerenciamento dos riscos relacionados aos seus trabalhadores. Porém, isso não significa que o condomínio esteja fora do processo. A NR-1 estabelece que contratante e contratada devem compartilhar informações sobre os riscos existentes e atuar de forma coordenada quando houver interação entre suas atividades.

Na rotina condominial, isso significa observar situações que possam afetar as condições de trabalho, como jornadas mal organizadas, excesso de demandas, falta de pausas, conflitos recorrentes com moradores ou ausência de suporte diante de situações de pressão. Identificados esses problemas, o caminho não é o síndico assumir o papel de especialista em SST, mas comunicar a situação e acionar a empresa responsável para que sejam feitas as avaliações e medidas necessárias.

A prevenção, portanto, depende de uma atuação integrada entre condomínio e administradora. Cabe à terceirizada conduzir tecnicamente a gestão de saúde e segurança de seus funcionários, enquanto o condomínio deve colaborar com informações sobre seu ambiente e acompanhar a execução dos serviços.

Mais do que uma nova obrigação burocrática, a atualização da NR-1 reforça uma mudança importante: cuidar da segurança no condomínio também significa olhar para a forma como o trabalho é organizado. Uma gestão eficiente precisa considerar não apenas a estrutura física e os equipamentos, mas também as condições em que as pessoas trabalham diariamente.

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