12 mar, 2025
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No último mês, duas tragédias abalaram moradores de condomínios em São Paulo e no Rio de Janeiro. No primeiro caso, uma menina de 12 anos faleceu após encostar em fios elétricos desencapados enquanto brincava em uma área comum do condomínio. Dias depois, no Rio de Janeiro, uma pilastra desprendeu-se e atingiu uma criança, que infelizmente não resistiu aos ferimentos. Esses acidentes reforçam uma questão urgente e frequentemente negligenciada: a necessidade de manutenção preventiva e fiscalização constante das estruturas condominiais.

Segundo um levantamento do Corpo de Bombeiros, cerca de 40% dos acidentes em condomínios estão relacionados a falhas elétricas, enquanto 25% envolvem quedas e desmoronamentos estruturais. Além disso, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) alerta que a falta de inspeção periódica aumenta em até 60% o risco de incidentes fatais em edifícios residenciais.

O papel do síndico na prevenção de acidentes

O síndico tem um papel essencial na segurança do condomínio e, mais do que uma obrigação legal, deve encarar essa missão como uma responsabilidade pela vida dos moradores. Conforme o Código Civil Brasileiro (Art. 1.348), cabe a ele zelar pela conservação e manutenção das áreas comuns, prevenindo situações de risco. Algumas medidas fundamentais incluem:

  • Inspeção regular das instalações: verificação periódica da parte elétrica, hidráulica e estrutural, principalmente em áreas de grande circulação e lazer infantil.
  • Manutenção preventiva em elevadores: segundo o IBAPE (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia), falhas nesses equipamentos estão entre as cinco principais causas de acidentes em prédios residenciais.
  • Sinalização adequada em áreas comuns: iluminação precária e pisos escorregadios representam riscos de quedas, responsáveis por 32% das ocorrências em condomínios, conforme dados da ANABIC (Associação Nacional de Administradores de Condomínios).
  • Fiscalização dos parquinhos infantis: brinquedos quebrados ou mal conservados podem ser perigosos para as crianças e necessitam de vistorias constantes.

A responsabilidade compartilhada dos moradores

Não apenas os síndicos, mas também os condôminos devem colaborar para um ambiente seguro. Pequenos cuidados, como respeitar áreas interditadas para manutenção, relatar problemas estruturais e participar ativamente das assembleias, fazem diferença na prevenção de tragédias.

Segundo um estudo do Secovi-SP, apenas 40% dos moradores participam ativamente das reuniões condominiais, o que dificulta a aprovação de investimentos essenciais em infraestrutura e segurança. Quanto maior a participação, mais eficiente se torna a gestão preventiva do prédio.

A segurança condominial deve ser uma prioridade de todos. Tragédias como as recentes mortes de crianças podem ser evitadas com medidas simples, mas eficazes. Investir em prevenção é garantir que famílias possam viver com tranquilidade, sem o medo de que uma falha estrutural transforme um lar em um cenário de risco. Afinal, segurança não é apenas um dever, é um compromisso com a vida.